Unidade e Comunhão

“Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade. E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela tua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo 17:17-21)

Nesta passagem, Jesus antes de ser preso e crucificado faz uma oração para os seus discípulos. O capítulo 17 de João mostra Jesus orando ao Pai para que seus discípulos fossem conhecidos por caminharem em unidade e comunhão uns com os outros. Esta oração se estende a todo nascido de novo, ou seja, àquele que hoje é morada do Espirito Santo e representa a igreja do Senhor; este também deve ser conhecido pela unidade e comunhão.

Hoje é um desafio para as igrejas caminharem em unidade e comunhão, ainda que essa seja a vontade do Senhor desde o início de sua criação em Atos.

Comunhão e unidade é muito mais do que ter uma amizade ou participar de eventos sociais cristãos, como algumas pessoas, erroneamente, costumam pensar. A unidade e a comunhão existem quando os irmãos caminham em uma única fé, doutrina e amor, onde o Espirito Santo é o ponto em comum a todos, onde o Senhor habita e existe paz e alegria. Mas, infelizmente, não é o que temos visto no meio cristão. Os interesses humanos são colocados à frente da vontade de Deus, mantendo-se desde o Éden a luta entre carne e espírito.

Não são as placas ou denominações que impedem que exista comunhão e unidade, mas as pessoas que buscam seus próprios interesses, liderando ou participando destas igrejas. Mas, ao nascer de novo, recebemos um novo coração que é governado e direcionado por Deus, sendo necessário subjugar nossos desejos para que a vontade de Deus seja feita em nossas vidas.

Em João 17:17-21, Jesus inicia sua oração por nossa santificação na palavra do Senhor, uma busca para sermos separados do mundo, mortificando nossa vida de pecado e vivendo para o Senhor. O alvo de nossa vida deve ser Cristo, e isto precisa ser ajustado na caminhada. Sem santidade não veremos ao Senhor.

Uma suposta unidade na Igreja, por mera concordância em pontos relativos a estratégias ou deliberações tomadas em convenções e assembleias, não pode ser eficaz ou duradoura e, pouco ou nada, poderá refletir daquela verdadeira união que é promovida pelo Espírito Santo. Uma vida em santidade deve ser o estilo de vida de todo nascido de novo, agradando sempre ao Senhor, pois este é um dos propósitos da vida cristã.

Quando vivemos movidos pela vida de Cristo, nossos valores mudam, nossos corações se viram para a direção do Reino de Deus, identificamo-nos com a vida, morte e ressurreição de Cristo e refletimos a vida de Cristo em nós. Requer de cada um esforço e vontade de mortificar os próprios desejos, se estes não forem compatíveis com o reino do céu, caso contrário, a busca pela unidade e comunhão não irá funcionar.

A velha natureza deve ser sepultada. Não existe santidade sem que o velho homem morra, e não tente ressuscitar o que já foi morto. Tudo se fez novo em sua vida, se esforce para isto: “Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor.” (Hb 12:14).

Jesus fala que o mundo nos reconheceria quando fôssemos um, assim como o Pai, o filho e o Espírito Santo o são. Isto é uma verdade que devemos fazer refletir no meio onde estamos, a luz precisa brilhar. A função dos discípulos de Jesus de todos os tempos continua sendo a mesma, a de refletir a nova vida em Cristo, levando luz ao mundo que se encontra mergulhado na escuridão e, cada vez mais influenciado pelo pecado.

O relativismo impera como regra de vida da sociedade. Este relativismo não deve influenciar a igreja de Cristo; o pecado continua sendo pecado e a busca por santificação deve ser intensificada por cada um. A palavra do Senhor é a verdade, por isso, devemos nos submeter a ela e praticá-la em nossa vida cristã. Temos em mãos a espada do Senhor, a qual deve ser desembainhada e usada diariamente.

No início da igreja primitiva foram estabelecidas comunhão e unidade e, desde aquela época, não eram métodos ou estratégias que fazia com que a igreja crescesse, mas sim o próprio Senhor a partir do desejo que os irmãos tinham no coração de compartilhar o amor de Cristo (At 2:46,47).

A comunhão faz com que amemos nosso irmão e a unidade faz com que sempre andemos na mesma direção. Assim, vamos crescendo juntos dia após dia, tanto a nível pessoal quanto espiritual. Suportar um ao outro em amor é uma característica de uma pessoa cheia do Espírito Santo; uma igreja receptiva e amorosa é a expressão que devemos ser. Isto é a igreja do desejo do coração do Senhor.

Jesus esteve com comunhão com os discípulos e até com pessoas que não o amavam, demonstrando graça com todos, não compactuando com o pecado na vida das pessoas. Em nossa busca por unidade e comunhão, o amor ao Senhor e às pessoas devem ser nossa motivação maior. Através do amor, a caminhada com o Senhor nos torna pessoas mais parecidas com Cristo.

O desejo do Senhor na busca por comunhão e unidade não é anular nossas características como pessoas, mas subjugá-las à ação do Espírito Santo. Uma marca que o filho de Deus tem é ser guiado pelo Espírito Santo na caminhada como cristão; a busca por amar como Cristo nos amou e a santificação devem ser desejadas por cada um de nós.

Em diversas situações, o Diabo vem para matar, roubar e destruir as nossas vidas. Nesse sentido, precisamos ser vigilantes, com muita oração e discernimento, fechando as fissuras ou brechas que possam destruir a unidade e comunhão da igreja.

Hoje, agradeço a Deus pois temos evoluído e nos aperfeiçoado enquanto igreja local na comunhão e unidade, ainda que não seja fácil avançar, pois precisamos diminuir e matar nossa carne para que o Senhor cresça e reine em nossa vida. Creio que grandes coisas o Senhor vai fazer e já está fazendo no ministério Batista em Uberlândia.

O exercício de amor e a atitude de santificação não é fácil, o grande mandamento nos diz para amar ao Senhor de todo coração, alma e mente. Também amar ao próximo como a si mesmo, sendo o nosso próximo todo aquele que eu tenho oportunidade de servir. Uma das formas da santificação a ser demonstrada em nossa vida é através dos frutos do Espírito, exercendo o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão e o domínio próprio.

Que possamos, assim, nos esforçar para uma vida em unidade e comunhão, santificação e amor.

Toniel Saraiva Rodrigues

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